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Demandas jurídicas às instituições da saúde e gestão de riscos

Os progressos na área da saúde são associados aos avanços da tecnologia. No século XXI, mais do nunca, o conhecimento se torna um dos principais diferenciais de competitividade, especialmente naqueles em que a inovação tecnológica é constante e as necessidades de padronização, adaptação e controle se mostram mais rigorosos. Manuel Castells, em sua famosa obra A era da informação, descreve essa nova realidade como sendo a sociedade informacional: “O termo informacional indica o atributo de uma forma especifica de organização social em que a geração, o processamento e a transmissão da informação tornam-se as fontes fundamentais de produtividade e poder devido às novas condições tecnológicas surgidas nesse período histórico”.

No caso das unidades de saúde, o que significa estar alinhado ao paradigma de uma sociedade informacional não significa apenas dispor de equipamentos e softwares de última geração, profissionais de saúde atualizados ou contar com as últimas novidades no campo da farmacologia. Assim como em outras áreas, o conhecimento profundo de ferramentas de gestão é fundamental, especialmente o domínio das Metodologias de Gerenciamento de Riscos.

Como se sabe, a adoção de Metodologia de Gerenciamento dos Riscos é o único caminho para garantir que o negócio principal das empresas da Saúde seja executado: garantir a melhor assistência ao paciente. Na implantação dessa metodologia duas etapas se destacam entre as demais, principalmente por gerar uma mudança da cultura e forçar a saída da falsa zona de conforto dos gestores e administradores. A primeira etapa se refere ao mapeamento de riscos onde é calculado o risco inerente de cada atividade, isto é, a probabilidade da mesma ser realizada de maneira equivocada multiplicada por sua gravidade. A segunda etapa é a análise dos erros que ocorrem durante a gestão dos riscos.

Cada evento é analisado individualmente e novas fragilidades são identificadas ou identifica-se que fragilidades antigas não foram estudadas com eficiência. No exemplo abaixo extraído do banco de dados da Zênite Assessoria e Consultoria que presta serviços de orientação em gestão de riscos para Seguradoras e empresas da Saúde, foram expostas situações que geraram processo contra Instituições de Saúde.

Demandas Jurídicas às Instituições da Saúde (Operadoras, Hospitais, Clínicas e Laboratórios) 2016

Nota-se que a grande maioria dessas situações poderia ter sido evitada e/ou amenizada apenas com a implantação de uma gestão de riscos institucional.

Por exemplo, em erro de cirurgia já existe um conjunto de boas práticas intitulado “Cirurgias Seguras Salvam Vidas” da Organização Mundial de Saúde, onde o maior desafio é a promoção do trabalho em equipe e registro de procedimentos.

Nos processos agrupados em falha da assistência identificou-se que os pacientes em algum momento do atendimento perdem a confiança no profissional que não necessariamente realizou uma má prestação de serviços, porém falhou na comunicação e empatia junto ao paciente e seus familiares. Comunicação esta oral e escrita, onde o prontuário e o termo de consentimento informado são práticas ainda pouco disseminadas e levadas a sério.

Assim como tantas outras demandas que, em sua maioria, revelariam erros evitáveis.

Um dos principais desafios para implantação da Metodologia de Gerenciamento dos Riscos diz respeito ao elemento humano. Portanto, uma das primeiras perguntas que o gestor faz é: minha equipe está pronta para lidar com tais ferramentas? A pergunta a ser feita, no entanto, é outra: como despertar nos profissionais a vontade pela utilização das ferramentas da qualidade? Dito de outra maneira: se as formas de gestão mais modernas produzem resultados benéficos para todos, porque os próprios colaboradores não estariam dispostos a se engajar na melhora?

O primeiro passo, portanto, de um gestor, está no campo da informação. A implantação da Metodologia de Gerenciamento dos Riscos não ocorre de maneira impositiva. Pelo contrário, ela somente pode ter êxito quando há a participação e colaboração de todas as partes envolvidas. Por isso, é necessário que todos tenham uma visão a respeito do todo: clareza a respeito do método de funcionamento e dos resultados que poderão ser objetivos.

Portanto, a falta de vontade em se utilizar de Metodologia de Gerenciamento dos Riscos pode existir, no máximo, em relação a alta direção, que ainda não foi capaz de vislumbrá-la como um diferencial competitivo. Considerando que sua implantação é um processo que envolve diversas etapas, a inércia somente mostra seu preço quando os concorrentes já estão desfrutando dos benefícios da Metodologia de Gerenciamento dos Riscos.  A pergunta, portanto, é: quem não está motivado a fazer diferente?

Escrito por: Bruna Malagoli
bruna.malagoli@zenite-net.com.br

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